
Tykwer abriu mão de sua câmera nervosa, com cortes videoclípticos e som no talo pra trazer ao cinema o que Süskind trouxe para o livro: a nítida sensação de estar sentindo todos os cheiros e sensações descritos na história. Acredite: Perfume é o filme mais aromático dos últimos tempos, com uma fotografia impecável, até na mais repugnante imundície da França do século XVIII.
O narrador em off dá um tom de fábula à história de Jean-Baptiste Grenouille (Ben Whishaw), um garoto que nasce com o olfato extremamente apurado. Ele é capaz de ver tudo à sua volta apenas pelo cheiro e, quando cresce, decide capturar estes aromas naturais e guardá-los para si. É aí que Jean sai em busca da essência perfeita, aprendendo tudo o que o perfumista decadente Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman) consegue ensinar. O problema é que a fonte da tal essência que Jean-Baptiste procura está em corpos femininos. Começa então sua saga para reunir os aromas do seu perfume ideal. Como? Matando mulheres para destilar seus cheiros.
Perfume bem merecia ser falado em francês. Com certeza a sensação de veracidade seria bem maior. Idiomas à parte, Tykwer só derrapa mesmo no final. Em um dos momentos mais lúdicos da trama, o tom de fábula se perde e tudo parece um pouco descabido do contexto. Mas nada que mude o fato de que Perfume é um filme que merece ser visto e, principalmente, sentido.